Sem trololo
empreitada da ação comunicativa: para quem tem alguns minutos para discutir política
bolsonaro, tas e as opressões
Categories: Geral

por stella

muita gente ficou chocada e indignada com os comentários homofóbicos e racistas do deputado jair bolsonaro, veiculados recentemente no programa de tv cqc. e depois, parte dessas pessoas que ficaram indignadas, aplaudiram marcelo tas num aparente enfrentamento do apresentador com o deputado.

para os desatualizados: chamado a explicar e, talvez, rever seus posicionamentos, o deputado foi novamente procurado pela equipe do programa. bolsonaro reafirmou sua homofobia, e tirou do bolso uma foto de um homem negro, seu cunhado, ostentou a foto diante da câmera e afirmou que tem um cunhado negro, ora, então, como poderia ser racista?

a resposta (ou, para alguns, o enfrentamento) de tas foi tirar uma foto de sua filha, imitando o gesto do deputado, e dizer que muito se orgulha dela, falar de suas conquistas profissionais… e concluir, em tom heróico: ela é gay. (dá pra ver tudo isso no youtube. se alguém não viu, é só procurar.)

lamentável. lamentável porque não é assim que se politiza o debate. lamentável porque o apresentador, que poderia despejar argumentos concretos e coerentes para cima do deputado, fez disso uma gracinha. nessa de ‘devolver na mesma moeda’, só fez mais sensacionalismo pra cima de algo – a homofobia – que poderia (e deveria) ser desconstruído com seriedade. um programa de ‘humor inteligente’ que tem o alcance que tem, a partir do momento que decide tomar partido abertamente de uma polêmica séria como essa, não deveria se abster de lembrar que homofobia mata.

encontrei esse vídeo na internet que faz uma crítica muito boa à lamentável reação de marcelo tas: http://entretenimento.r7.com/blogs/te-dou-um-dado/2011/04/06/trico-das-mina-qcq-e-bolsonaro/

3 Comments to “bolsonaro, tas e as opressões”

  1. Mathias disse:

    Muito boa mesmo a postagem, Enrico. Mas não fui eu quem escrevi, foi a Stella! hehe…
    Realmente, Marcelo Tas só podia ser melhor quando os tempos eram outros. Hoje, parafraseando Lobão, o ditador é a Xuxa na TV, e o inimigo é cor-de-rosa. E parece que muitos que lutaram contra as opressões de um dia, hoje encontram na liberdade de expressão a máxima possibilidade de exercício da liberdade, e o fazem por meio do deboche – o que não passa de uma tentativa de ironia já mastigada pro telespectador babar na frente da TV. Parece que não há mais contra o que lutar. Fazem como se nos restasse, apenas, debochar da política e dizer que a democracia não funciona no Brasil…
    Humor inteligente? Será mesmo engraçado assistir aos nossos representantes políticos não saberem responder a perguntas do tipo “O que são os BRIC?” ou “Mostre-me no mapa onde fica a Venezuela?”, como acontece naquele quadro do CQC, ou será isso tudo muito deprimente?

  2. Enrico disse:

    Muito boa postagem, Mathias.

    O pior é esse argumento que leva a questão para oposição entre ser negro/gay e ser bem sucedido. Tas levanta as credenciais dela primeiro, para dizer, como em oposição, que ela
    é gay. Como se o fato dela ser bem sucedida reforçasse o argumento dele, o que é absurdo. Ela é gay E bem sucedida, assim como há gays E mal sucedidos, assim como há negros que também são parentes de políticos e negros que não são. E todo devem ser respeitados porque são seres humanos, e ponto final. Levantar as credenciais dela para reforçar o argumento não deixa de ser uma forma de demonstrar preconceito. É como dizer, “fulano é gay, MAS é meu amigo”, etc.

    Abraços!

  3. stephs disse:

    eu sinceramente não esperava nada melhor do marcelo tas nem do cqc, que é só mais um programa medíocre com apresentadores medíocres que se julgam os paladinos do humor politizado quando são apenas moleques atrevidos o suficiente para tirar com a cara de parlamentares abertamente (o que não é nenhum trunfo, tendo em vista o nível de respeitabilidade e distinção dos nossos representantes políticos). tas deveria ter vergonha dessa atitude que, na minha opinião, não representou sequer um contraponto à atitude patética do bolsonaro, senão uma exposição gratuita e irresponsável da própria filha.